Cláusulas Fundamentais nos Contratos de TIC e que podem salvar o seu negócio!
No setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), os contratos desempenham um papel essencial na proteção jurídica, no alinhamento estratégico entre empresas e na garantia da segurança de ativos valiosos.
Nesse contexto, três cláusulas se destacam como indispensáveis: a propriedade intelectual, o SLA (Service Level Agreement) e as cláusulas de confidencialidade e não concorrência.
A questão da propriedade intelectual é central em contratos de TIC, pois define quem detém os direitos sobre o software ou a tecnologia envolvida. Essa definição clara evita disputas jurídicas e protege os direitos das partes, especialmente em projetos de desenvolvimento de software, soluções em cloud ou licenciamento de tecnologias.
Contratos bem estruturados indicam se o cliente está adquirindo uma licença de uso temporária ou transferindo completamente os direitos patrimoniais.
Em casos de cocriação tecnológica, também é preciso disciplinar como a propriedade será compartilhada, garantindo que ambas as partes respeitem os limites acordados.
Adicionalmente, é fundamental esclarecer o uso de tecnologias ou componentes pré-existentes e assegurar que essas partes da inovação permaneçam com o seu criador.
Outra situação que exige regras claras de propriedade intelectual é a contratação de licença de uso de um sistema, pois é fundamental ter a garantia de que o fornecedor é detentor dos direitos de licenciamento, seja por ser o proprietário ou ainda, em razão de ter estar devidamente autorizado a comercializar as licenças.
Já o SLA, ou Acordo de Nível de Serviço, é uma peça-chave para estipular os critérios de desempenho em contratos de TIC, particularmente para serviços como internet, cloud computing e datacenter.
Essa cláusula funciona como a base para estipular os compromissos entre fornecedor e cliente, trazendo clareza sobre métricas como tempo de operação, prazos para solução de problemas e suporte técnico.
Também serve para formalizar as responsabilidades de ambas as partes, deixando explícito o que o fornecedor deve entregar e quais são os deveres do cliente. Para ser eficaz, o SLA precisa incluir parâmetros objetivos para medição, metodologias para aferição do desempenho e previsões de penalidades em caso de descumprimento. Isso protege o cliente contra falhas operacionais e incentiva o fornecedor a aderir aos padrões acordados. Um SLA detalhado, ajustável ao longo do contrato e revisado periodicamente, é essencial para contratos tecnológicos.
Por fim, as cláusulas de confidencialidade desempenham um papel estratégico na proteção de informações sensíveis e no controle de vazamentos que possam prejudicar a competitividade das empresas.
Empresas de modo geral possuem informações e dados valiosos que são ativos críticos, sendo indispensável delimitar claramente o que será tratado como informação confidencial e quem estará autorizado a acessá-la, bem como os parâmetros de segurança da informação.
Esses acordos também precisam estabelecer sanções em caso de descumprimento e prever prazos de validade, mesmo após o término do contrato.
Dessa forma, as cláusulas de propriedade intelectual, SLA e confidencialidade são pilares para a segurança jurídica e o sucesso estratégico da empresa ao contratar serviços de TIC.
Elas não apenas protegem as partes contra riscos, mas também oferecem uma base sólida para fomentar boas práticas comerciais e operacionais. Assim, investir em contratos bem redigidos e personalizados por especialistas jurídicos do setor é mais do que uma medida preventiva; é um diferencial competitivo em mercados altamente dinâmicos.
Conforme prometemos, segue a cláusula de SLA para um contrato de cloud que preparamos para que você se inspire ao avaliar ou desenvolver o seu próprio contrato. Esta cláusula foi criada pela Abreu Fattori Advocacia como resultado de sua expertise e muitos anos de atuação no setor. Esperamos que possa te auxiliar!
Suporte Técnico – Acordo de Nível de Serviço: O serviço é acionado via Central de Atendimento, em dias úteis e horário comercial das 8h às 18h ou 24 horas por dia, 7 (sete) dias por semana conforme contratado, pelos canais disponibilizados (telefone, chat e e-mail), podendo ensejar a intervenção remota em dispositivos, mediante autorização do Contratante, para realização das seguintes atividades:
- Identificação de Causa Raiz (Root Cause Analysis – RCA): O suporte realiza uma investigação detalhada para encontrar a causa da indisponibilidade.
- Análise em Tempo Real: Identificação imediata de problemas em servidores, redes ou aplicações.
- Monitoramento de Logs: Verificação de registros de atividades para identificar falhas ocorridas antes do problema.
- Atualizações de Status: Fornecimento de relatórios regulares ou em tempo real sobre a situação (ex.: painéis de status online ou e-mails automáticos).
- Avisos Personalizados: Informações específicas sobre os passos sendo tomados para resolver o problema.
- Reinicialização ou Substituição de Recursos: Inclusão de novos servidores, balanceamento de carga ou reinício de máquinas virtuais para normalizar o serviço.
- Failover Automático: Ativação de um ambiente redundante para minimizar o impacto da indisponibilidade.
- Recuperação de Backups: Utilização de backups automáticos para restaurar dados ou aplicações afetados.
- Infraestrutura Alternativa: Provisão de infraestrutura adicional ou transferência para outros datacenters sem custo adicional durante a indisponibilidade.
- Redistribuição de Recursos: Redirecionamento para áreas não afetadas dos serviços ou datacenters.
- Atendentes Designados: Profissionais dedicados para situações de alta prioridade.
- Especialistas no Local: Mobilização de uma equipe de suporte presencial (no caso de contratos avançados).
- Identificação de Terceiros Responsáveis: Quando a indisponibilidade é causada por problemas em provedores externos (ex.: falhas em uma rede global ou interrupções em serviços de energia), o suporte informa as restrições e articula ações corretivas com os terceiros.
- Relatório de Terceiros: Consolidação de informações técnicas de parceiros e operadores externos, como ISPs (provedores de internet).
- Proteção Ativa de Dados: Garantia de que nenhuma perda, corrupção de dados ou violação ocorra durante o período de interrupção.
- Auditoria Pós-Indisponibilidade: Execução de revisões completas para assegurar a integridade de dados e sistemas após a restauração.
- Orientação de Contingência: Guia para as equipes técnicas do Contratante sobre como lidar com o período de indisponibilidade minimizando o impacto.
- Capacitação Pós-Solução: Treinamento ou explicações detalhadas após o incidente, para ensinar como evitar situações semelhantes no futuro.
- Relatório de Incidente: Fornecimento de um documento detalhado contendo causa do problema, ações tomadas para resolver a indisponibilidade, medidas preventivas para evitar recorrências.
- Revisão de SLA: Avaliação conjunta para revisar e ajustar SLAs conforme necessário, garantindo maior confiabilidade no futuro.
- Contratantes premium ou de alta criticidade podem ter acesso a Equipe de Resolução Avançada: Especialistas de alto escalão focados exclusivamente na resolução do problema.
- Filas Prioritárias de Suporte: Atendimento reduzido sem espera prolongada.
O Suporte Técnico considera quatro níveis de criticidade: (i) Gravidade Crítica, (ii) Gravidade Alta, (iii) Gravidade Média e (iv) Gravidade Baixa, conforme tabela abaixo:
| GRAVIDADE | DEFINIÇÃO |
| CRÍTICA | O Serviço em Cloud está inativo ou não operacional, onde vários ou todos os principais recursos são afetados. Existe suspeita de perda de dados. As operações comerciais do Cliente são afetadas. Nenhuma solução alternativa disponível. |
| ALTA | Principais recursos do produto ou Serviço afetados, por exemplo, implantação, configuração, ativação, gerenciamento de contas, gerenciamento de dados. Existe uma sensibilidade crítica ao tempo, mas nenhum impacto massivo ou severo nas operações do negócio. |
| MÉDIA | A característica do produto ou Serviço é afetada em um grau limitado, com comportamento irregular acontecendo apenas sob condições específicas, por exemplo, problemas de compatibilidade com produtos ou Serviços específicos de terceiros, problemas isolados apenas para configurações de ambiente específicas do Cliente, sem degradação crítica de desempenho e/ou um comportamento não documentado. Não há urgência em abordar o assunto. |
| BAIXA | Os recursos do produto ou Serviço não são afetados. Atendimento ao Cliente, questões relativas a usabilidade, problemas de GUI; perguntas como fazer, informações sobre o Serviço e/ou novas solicitações. |
Conforme a criticidade da demanda, a Contratada terá um tempo específico de resposta (SLA – Service Level Agreement), de acordo com a tabela que segue:
| GRAVIDADE | TEMPO DE RESPOSTA | SOLUÇÃO TEMPORÁRIA | RESOLUÇÃO PERMANENTE CONTRATADA | RESOLUÇÃO PERMANENTE CLIENTE |
| CRITICA | < 2 horas | < 1 dias | 15 dias úteis | 30 dias |
| ALTA | < 4 horas | < 5 dias | 20 dias úteis | 60 dias |
| MÉDIA | < 8 horas | < 10 dias | 45 dias úteis | 90 dias |
| BAIXA | < 24 horas | Indefinido | Indefinido | Indefinido |
O SLA previsto valerá para a vigência Contratada, em caso de renovação, o SLA valerá para a vigência Contratada para a renovação. Em caso de modificação do SLA, seja em relação aos conceitos de criticidade ou ainda dos tempos de resposta e resolução, a Contratada notificará a Contratante com 90 (noventa) dias de antecedência da aplicação das novas regras.
O atendimento deverá registrar, coletar informações, classificar, solucionar e responder as dúvidas e os problemas reportados pelo Contratante, a fim de agilizar a resolução da falha reportada.
Conforme o nível de criticidade a Contratada envidará os esforços necessários para solução do problema reportado em tempo hábil e compatível com a complexidade da situação.
O atendimento não inclui a montagem, desmontagem, intervenção em códigos-fonte e códigos-objeto e outras ações de maior complexidade e que não sejam diretamente relativas a ajustes relacionados aos Serviços contratados.