REDATA – DATACENTERS INCENTIVADOS
O Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter) surge como um marco estratégico para o desenvolvimento digital do Brasil, combinando incentivos fiscais à expansão da infraestrutura tecnológica no país. Criado pela Medida Provisória nº 1.318 em 17 de setembro de 2025, ele reflete a necessidade de integrar o Brasil ao cenário global de transformações digitais, ao mesmo tempo em que fortalece a soberania nacional em um ambiente cada vez mais dominado por dados, conectividade e computação em nuvem.
O principal objetivo do Redata é atrair e facilitar investimentos no setor de data centers no Brasil, fomentando a construção de uma infraestrutura capaz de suportar a explosão de serviços digitais que molda a economia contemporânea. O programa busca criar condições competitivas para enfrentar políticas semelhantes adotadas por outros países, além de reduzir a dependência brasileira de serviços de armazenamento e processamento no exterior. Atualmente, uma parcela significativa — cerca de 60% — das cargas digitais brasileiras é processada em data centers ao redor do globo. Isso não apenas gera custos elevados e déficits na balança comercial, mas também expõe o país a riscos de segurança e perda de autonomia digital. O Redata posiciona-se, portanto, como um instrumento para reverter esse cenário, elevando o Brasil ao patamar de protagonista tecnológico.
Entre os principais atrativos do regime estão os incentivos fiscais significativos concedidos às empresas que desejam investir em data centers no Brasil. O Redata estabelece a isenção de tributos federais, como PIS/Pasep, Cofins, IPI e Imposto de Importação, na aquisição de equipamentos de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC). Essa isenção representa uma redução expressiva na carga tributária total, que anteriormente poderia alcançar 52% e agora é diminuída para aproximadamente 18%. Com isso, os custos de instalação e expansão de data centers tornam-se mais acessíveis, fomentando um ambiente de negócios atrativo para investidores.
No entanto, o mecanismo de desoneração vem acompanhado de contrapartidas que refletem compromissos com a sustentabilidade, a inovação e o mercado interno. As empresas que se beneficiam do Redata precisam adotar o uso de energia limpa e renovável e atender a critérios rigorosos de eficiência hídrica, promovendo práticas ambientalmente responsáveis. Além disso, é obrigatório investir 2% do valor dos equipamentos adquiridos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&D) no Brasil, gerando um ciclo de fomento à tecnologia nacional. Para garantir que os benefícios sejam estendidos ao mercado interno, pelo menos 10% da capacidade de processamento dos data centers instalados também deve ser destinada ao uso local, o que pode ser um divisor de águas para empresas nacionais que buscam ampliar suas operações com suporte técnico mais próximo e de qualidade.
O impacto esperado do Redata é significativo. Só em termos de investimentos, o regime tem o potencial de mobilizar algo em torno de R$ 2 trilhões ao longo dos próximos dez anos. Além disso, as vantagens fiscais concedidas podem ultrapassar R$ 701 bilhões nesse mesmo período. Essa movimentação financeira se traduz não apenas no fortalecimento da economia do setor, mas também na ampliação da capacidade física de processamento do Brasil, que deve quadruplicar de 800 megawatts para impressionantes 3 gigawatts. O aumento da capacidade digital será crucial não apenas para dar suporte às demandas crescentes de serviços baseados em nuvem, mas também para transformar o Brasil em um hub tecnológico competitivo em escala global.
Apesar de seu caráter visionário, é importante observar que o Redata poderia ter ido além ao incluir em sua política de incentivo os milhares de pequenos e médios provedores de internet que já operam data centers próprios no Brasil. Esses provedores desempenham um papel fundamental na oferta de serviços locais e, com o apoio apropriado, poderiam suprir a demanda interna que hoje tem sido escoada para empresas estrangeiras. Ao aproveitar essa infraestrutura já existente, o Brasil poderia acelerar ainda mais a expansão de sua capacidade digital, fortalecendo a economia nacional e incentivando a descentralização dos serviços, além de promover maior competitividade no setor.
O Redata combina ousadia e pragmatismo, almejando criar um Brasil mais conectado, sustentável e competitivo no cenário digital internacional. Mais do que um regime fiscal, trata-se de uma política de desenvolvimento que alimenta a infraestrutura hoje essencial para a economia moderna, consolidando as bases para uma nova etapa de crescimento pautada pela tecnologia e pela independência digital. Com o incentivo correto e as contrapartidas bem estruturadas, o Redata é um passo fundamental para consolidar o Brasil como um protagonista na era dos dados, mas uma oportunidade de potencializar ainda mais os pequenos atores do mercado nacional não deveria ser ignorada.